Rio -  A Justiça expediu 26 mandados de prisão contra os ocupantes do ônibus interceptado por policiais do Batalhão de Choque (BPChq) neste domingo. Entre os acusados estão 10 homens e 16 mulheres. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o pedido de prisão temporária por associação ao tráfico de drogas são válidos por 10 dias. Desse total, quatro tem passagens pela polícia, três por tráfico de drogas e um por roubo.
Um homem acusado de participação na ação que culminou com dois policiais da UPP baleados no Morro da Coroa, em Santa Teresa, foi preso no ônibus que transportava 30 moradores do Caju para uma festa em Itaguaí. Uma das vítimas, o terceiro-sargento Paulo César de Lima Junior, do Batalhão de Choque, não resistiu ao ferimento e morreu no domingo. Com este, sobe a quatro o número de PMs assassinados em menos de três dias no estado.
Além do terceiro-sargento, um soldado foi atingido na Rocinha durante patrulhamento quinta-feira à noite; um caveira do Bope foi morto ao reagir a um assalto na sexta-feira; e um PM foi assassinado em São João de Meriti, após receber homenagem no 21º BPM (São João de Meriti).
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
O ônibus com suspeito foi interceptado na Avenida Brasil, na altura de Vila Kennedy.
Renan Magalhães de Lima, 24 anos, o Loló, que seria gerente do tráfico da Coroa, foi reconhecido. Contra ele, havia mandado de prisão por tráfico de drogas. Outro suspeito de tráfico, Paulo Castilho Correia Filho, 22, o Playboy também estava no veículo. Ele seria chefe do tráfico da comunidade Parque Alegria, e teria saída da prisão há um mês após cumprir pena por roubo e tráfico.
O ônibus foi parado após denúncia. Policiais do Choque acompanharam o trajeto do veículo desde o Caju e o interceptaram na altura de Vila Kennedy. Segundo o tenente do Choque Rodrigo de Castro, que comandou a ação, dois carros com homens armados faziam escolta do ônibus. “Estavam com fuzis e pistola e faziam questão de ostentar as armas. Sabíamos que tinha traficante, mas não que seria um dos que atiraram no policial da UPP”, relatou Castro. Segundo o tenente, quando os policiais abordaram o ônibus, os carros fugiram na contramão.
Reforço em Santa Teresa após tiroteio que feriu PMs

Baleado na tarde de sábado, no Morro da Coroa, numa troca de tiros entre traticantes e policiais do Morro da Coroa, o terceiro-sargento Paulo César de Lima Junior, morreu ontem. O enterro está marcado hoje, ao meio-dia, no Cemitério Parque Niterói, em Vista Alegre, São Gonçalo.
Segundo a PM, o policial foi baleado na virilha e levado para o Hospital Central da Polícia Militar. Ele era casado e tinha um filho. O outro PM, identificado como soldado Gonçalves, levou tiro no tornozelo.
A Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou que policiais militares do Batalhão de Choque e soldados de diversas UPPs da cidade reforçaram ontem o efetivo no Morro da Coroa. O aumento de pessoal foi para tentar encontrar os responsáveis pela morte do sargento.
O ônibus de excursão estava repleto de crianças e adolescentes. Segundo a investigação do Batalhão de Choque, o passeio seria para comemorar o aniversário de uma mulher da comunidade. Na porta da delegacia, a mulher, que não se identificou, chorava e criticava a demora da polícia. “O ônibus tem criança com fome e a polícia não libera ninguém. Já são mais de sete horas esperando”, reclamou, referindo-se à demora para averiguação. Após levantar a ficha de todos os passageiros, o delegado plantonista na 34º DP, Carlos Cesar Santos, ouviu depoimento de cada um. Um inquérito será instaurado e todos podem responder por associação ao tráfico.