Terminal de ônibus é fechado em protesto
Pneus dos veículos foram esvaziados durante a paralisação; motoristas e cobradores exigem mais segurança
O terminal de ônibus do Conjunto Ceará foi fechado, na tarde de ontem, pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Ceará (Sintro), em reivindicação por mais segurança para motoristas e cobradores de ônibus que circulam na região. Durante o protesto, entradas e saídas do local foram bloqueadas, e mais de 20 linhas foram prejudicadas.
O protesto foi anunciado pelo Sindicato por volta de 15h30, causando um princípio de tumulto entre os usuários do terminal, que reclamavam, sobretudo, do fato de não terem sido comunicados com mais antecedência.
Em virtude dos pneus dos veículos terem sido esvaziados, a paralisação, que estava programada para durar apenas uma hora, levou cerca de duas para chegar ao fim. Os ônibus que chegavam ao terminal estacionaram na parte externa do equipamento, dificultando o acesso. A Polícia Militar esteve presente no local para evitar possíveis problemas.
A operadora de telemarketing Michelle Pinheiro foi uma das usuárias prejudicadas com a paralisação. Moradora do Conjunto Ceará e frequentadora diária do terminal de ônibus, ela afirma que a população chegou a pedir que a paralisação fosse adiada para que as pessoas tivessem tempo de se prepararem, mas tiveram o pedido negado. "O sindicato chegou, fechou as entradas e saídas com Kombis, e anunciaram o protesto", explica.
Indignado com a situação, o cozinheiro Raimundo Caetano da Silva, que voltava do trabalho na hora da ocorrência, ressalta que os usuários do transporte coletivo não podem ser responsabilizados por impasses entre sindicalistas e patrões. "Não temos nada a ver com isso. Eu só quero é chegar em casa", reclama.
Assaltos
O presidente do Sintro, Domingos Neto, explica que a manifestação ocorreu para chamar atenção da segurança pública em virtude dos constantes assaltos sofridos por trabalhadores na região e, em caso de não haver uma solução, novas paralisações devem ocorrer.
Segundo ressalta, na última segunda-feira, um motorista sofreu um atentado enquanto trabalhava e por pouco não foi ferido. "Pedimos desculpas à população, mas esse é um protesto que visa melhorar a segurança dos coletivos que rodam na Capital", acrescenta. Sobre a secagem dos pneus, ele afirma que se trata de um ato não defendido pelo Sintro, mas que acaba fugindo ao controle da diretoria.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que trabalha em ações no sentido de combater a violência nos coletivos. Segundo explicou a assessoria, toda a frota da Capital é monitorada por GPS, permitindo o acompanhamento on-line e, onde qualquer ação registrada, é de imediato encaminhada para a PM, assim como a presença de câmeras de segurança e cofres que são abertos apenas nas garagens, inibindo, assim, a ação de criminosos.
Policiamento
O comandante da 4ª Companhia do 6º Batalhão do Conjunto Ceará, capitão Alexandre Ribeiro, explica que as ações dos bandidos têm se concentrado na divisa entre o bairro Genibaú e Autran Nunes, rota de grande parte das linhas que passam pelo Terminal do Conjunto Ceará, e que as ações no local serão intensificadas. "Duas quadrilhas já foram presas há pouco tempo", acrescenta. Ele explica ainda que viaturas do Ronda do Quarteirão e do Policiamento Ostensivo Geral farão rondas nos pontos onde os bandidos costumam agir.
RENATO BEZERRA/MÁRCIA FEITOSAESPECIAL PARA CIDADE
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